Vídeo sobre Escola da Amazônia, por Fernando Leite


Vídeo produzido por Fernando Leite, também do Colégio Bandeirantes e que participou do Workshop sobre Desenvolvimento Socioeconômico e Conservação da Biodiversidade da Escola da Amazônia em julho de 2008.

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Vídeo sobre Escola da Amazônia, por Sara Izumi


Esse vídeo foi produzido por Sara Izumi, do Colégio Bandeirantes de São Paulo, que participou do último Workshop de Conservação da Escola da Amazônia, em julho de 2008.

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Jaguar predation on Capybara: this time on video

Exactly 30 years after the publication of “Jaguar Predation on Capybara”, by George Schaller and Jose Vasconcelos - the first article of the modern era of research on jaguar ecology - a jaguar attack on a capybara is captured on video and published in the internet. See the video below.

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Predação de capivara por onça-pintada no Pantanal: vídeo raro!

Exatamente 30 anos após George Schaller e José Vasconcelos publicarem Jaguar Predation on Capybara (Predação de Capivaras por Onça-Pintada), artigo que viria a ser reconhecido como o primeiro da era moderna da pesquisa sobre ecologia de onças-pintadas, uma cena de predação de capivara por uma onça-pintada é filmada no Pantanal e publicada.


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Abaixo os jipões

MARCELO LEITE
Folha de São Paulo
10/08/2008

É curioso que as pessoas se preocupem tanto com a qualidade do ar em Pequim. Particularmente em São Paulo, essa mania tem muito de postiça. Além de parar de pensar com a própria cabeça, vamos também começar a respirar com o pulmão dos atletas olímpicos?
Nem a chuva de verão que despencou na terça-feira, em pleno inverno (vá lá, acontece), parece ter sido capaz de lavar a poluição que inflama os brônquios e resseca as narinas. Basta um pouco de sol para a camada de ozônio e material particulado ficar visível no horizonte. Um “photo-smog” quase palpável, para chinês nenhum pôr defeito.
Apesar disso, assistimos a um frenesi de jipões. Nas rodas chiques, são os famigerados “SUVs”, ou “sport utility vehicles” (veículos esportivos utilitários, mais uma contradição de propaganda nos termos).
Não há dia em que abra revista ou jornal sem topar, nos espaços mais caros, com uma sucessão de anúncios exibicionistas. Nas ruas, também, os jipões parecem cada vez mais numerosos. Deve ser irresistível, para os endinheirados, pagar o preço de um apartamento pequeno para rodar com sete bancos de couro acionados e aquecidos eletricamente -vazios.
Que desperdício se os dez airbags inflarem todos ao mesmo tempo.
A tração nas quatro rodas, presume-se, tornou-se insubstituível para enfrentar os buracos do asfalto e as enchentes. Equipamento de sobrevivência, assim como ar-condicionado, insulfilme e vidros blindados.
Motoristas do sexo feminino, em especial, sentem-se mais seguras na posição elevada de dirigir, já me disseram.
É o preço a pagar pela afluência, talvez, ou pela “retomada do crescimento econômico”. Nunca antes na história deste país houve tanta gente com sobra de dinheiro e falta de visão para cobiçar e comprar um carro desses.
Melhor que isso, só mesmo um helicóptero, e não falta quem ache bacana a cidade de São Paulo ter a segunda maior frota do planeta…
Os SUVs foram uma invenção esperta da indústria automobilística dos Estados Unidos. Sua verdadeira utilidade era driblar os padrões cada vez mais rígidos de eficiência no consumo de combustível e de emissão de poluentes, a partir da década de 1970 (Corporate Average Fuel Economy, conhecida pela sigla Cafe).
Como utilitários, os jipões escapavam das regras. Nos anos 1990, começaram a vender como chuchu em fim de feira. Os americanos podem ser ingênuos, ou cínicos, mas não dormem no ponto. Sob pressão de ambientalistas, depois da imprensa e do Congresso, os padrões começaram a ser apertados para os SUVs, também.
No momento, os jipões começam a sair de moda pelo mundo afora. Bem, pelo menos no que costumamos chamar de mundo civilizado. No Reino Unido, a candidata do Partido Verde à Prefeitura de Londres, Siân Berry, chegou a fundar uma Aliança contra os 4X4 Urbanos. Na China, como aqui, devem ser coqueluche (também conhecida pelo nome de tosse comprida, bem a calhar para quem respira o ar de lá e o daqui).
Em São Paulo, não é incomum ver SUVs adornados com adesivos de organizações ambientais, como S.O.S. Mata Atlântica, Greenpeace e WWF.
Já vi mais de um jipão dirigido por manda-chuvas de ONGs, aliás. Sempre é bom lembrar que a maioria desses beberrões não é flex e roda a gasolina, quando não a diesel.
Houve um tempo em que usar casaco de peles era politicamente incorreto, por boas razões. Não é que outro dia topei com um no Festival de Inverno de Campos de Jordão?

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V Oficina “Um Dia na Floresta”

Vinte e cinco alunos de quinta série da escola JVC, de Alta Floresta, participaram no dia 2 de agosto da V Oficina Um Dia na Floresta. As oficinas Um Dia na Floresta são uma realização da Escola da Amazônia, programa de educação para a conservação da Fundação Ecológica Cristalino.

As oficinas são coordenadas pelo biólogo Tiago Henicka.


Alunos que participaram da oficina


Márcia Klein, professora de biologia no JVC, teve mais uma vez um papel fundamental na realização da oficina

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IV Oficina “Um Dia na Floresta”

No dia 26 de julho, a Escola da Amazônia trouxe alunos de escolas públicas de Alta Floresta para passar um dia na floresta. Os alunos participaram de uma série de atividades lúdicas que tinham como objetivo despertar o interesse e o apego dos jovens pela floresta. As atividades foram feitas no Floresta Amazônica Hotel (FAH).

As oficinas “Um Dia na Floresta” são patrocinadas pelo Instituto HSBC Solidariedade. Outras 6 oficinas estão agendadas para esse semestre. O programa deve se extender até 2010 e deverá atender às escola públicas de Alta Floresta e municípios vizinhos.

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Mapa de Conceitos como ferramenta de avaliação em Educação Ambiental

O mapa de conceitos aplicado antes e depois (ou no ínicio e final) de um programa de educação permite avaliar o incremento no conhecimento dos alunos participantes. O aumento no número de conceitos mostrados no mapa é uma medida objetiva do incremento. O aumento no número de ligações, nos níveis hierárquicos e a própria inclusão de conceitos mais importantes são outras medidas do impacto da participação. Para mais informação sobre Mapas de Conceitos, clique aqui.

Mapa de Conceitos é uma das ferramentas de avaliação usadas pela Escola da Amazônia.


Exemplos de mapas de conceitos feitos no primeiro (pre) e no último dia (post) do VI Workshop de Desenvolvimento Socioeconômico e Conservação da Biodiversidasde. Ameaças à biodiversidade em vermelho e soluções para as ameaças em azul

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Escola da Amazônia no Blog do Colégio Bandeirantes

Em viagem à Amazônia, alunos aprofundam conhecimentos sobre preservação ambiental

É necessário buscar um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia que não dependa da derrubada da floresta. Essa consciência tem de começar com educação ambiental dentro das escolas“.

- Carlos Nobre, Climatologista. Revista National Geographic Brasil, 2007

Em viagem realizada em parceria com o programa Escola da Amazônia, da ONG Fundação Cristalino, cerca de doze estudantes do Ensino Médio, acompanhados pela professora Denise Curi de Laboratório de Química, tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre a Amazônia por meio de atividades desenvolvidas na floresta e na zona urbana da cidade de Alta Floresta (MT).

Localizado em pleno Arco de Desmatamento, o programa tem como objetivo analisar diversos aspectos da vida da região, desde as principais indústrias e suas consequências ambientais até a típica fauna e flora.

Para isso, foram feitas palestras, entrevistas com diversos moradores de Alta Floresta, trilhas pela mata, entre outras atividades.

Por fim, os estudantes foram estimulados a refletir sobre uma forma de desenvolvimento da Amazônia sem agredir o meio ambiente e também sobre a responsabilidade de cada um em suas respectivas casas.

“Poucos brasileiros têm a oportunidade de conhecer a Amazônia e, mais que isso, estudar a realidade da região com especialistas e professores. É um privilégio que forma pessoas mais conscientes e preparadas”, explicou Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do projeto.

Desde 2003, o Band atua em parceria com o projeto Escola da Amazônia, divulgando a viagem e estimulando o envolvimento de professores.

Clique aqui para visitar o Blog

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Projeto Mamíferos do Cristalino: 27 espécies em 15 dias de levantamento

Com o apoio da Fundação Ecológica Cristalino, o doutorando Ednaldo Cândido da Rocha (Universidade Federal de Viçosa) iniciou em maio de 2008 um levantamento de mamíferos de médio e grande porte na região do rio Cristalino (RPPNs Critalino I, II, III, Lote Cristalino) e no Parque Estadual Cristalino, no extremo norte de Mato Grosso.

Nas duas primeiras etapas do trabalho de campo, que totalizaram 15 dias, já foi possível identificar 27 espécies de mamíferos de médio e grande porte, evidenciando a elevada riqueza da área de estudo. Dentre essas espécies, algumas são de grande interesse para a conservação, tais como onça-pintada (Panthera onca), jaguatirica (Leopardus pardalis), ariranha (Pteronura brasiliensis), cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus) e macaco-aranha-de-cara-branca (Ateles marginatus).

Tatu 15 kg - Daypus kappleri.JPG Irara - Eira barbara.JPG
Tatu 15 quilos (Dasypus kappleri) e irara (Eira barbara), fotografados no levantamento

O projeto terá duração de dois anos e deverá gerar conhecimento importante ao adequado manejo e conservação da mastofauna nas unidades de conservação amostradas, de forma a contribuir para uma melhor gestão dos seus recursos naturais. Além da elevada diversidade de mamíferos, as unidades de conservação estudas possuem localização estratégica para a conservação, pois integram o corredor ecológico meridional de conservação da Amazônia. O corredor é uma importante barreira para conter o avanço do “Arco do Desmatamento da Amazônia”.

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Projeto Flora Cristalino descobre 3 espécies novas

RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Campo Grande
01/07/2008

Pesquisadores da ONG Fundação Cristalino, em parceria com o Jardim Botânico de Kew, no Reino Unido, identificaram três espécies da flora ainda desconhecidas da ciência na região do Parque Estadual do Cristalino (entre os municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, no extremo norte de Mato Grosso), uma das unidades de conservação mais ricas em biodiversidade na Amazônia.

As descobertas fazem parte de um relatório preliminar do programa Flora Cristalino, a primeira grande iniciativa de mapeamento da vegetação do norte mato-grossense. Iniciado em julho de 2006, o estudo já cumpriu duas etapas de campo na área do parque e em duas áreas limítrofes que estão em processo de conversão em RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural).

Na primeira incursão, foram coletadas 1.500 amostras, que permitiram identificar 700 espécies. Em fevereiro de 2008, junto com pesquisadores do Kew e da Sema (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), foram mais mil amostras. Parte do material coletado ainda está sob análise no Reino Unido, diz a bióloga Denise Sasaki, da Fundação Cristalino, que coordenou os trabalhos de campo.

Além das espécies novas, o projeto revelou também dez espécies não encontradas antes em Mato Grosso. “Foram encontradas ainda espécies de distribuição restrita ou coletas raras no Brasil”, diz Sasaki.

As novas espécies são descritas pela pesquisadora como um arbusto e dois subarbustos de pequeno porte. “É provável que tenhamos mais descobertas”, diz a pesquisadora, que prepara uma terceira expedição para o mês de agosto. “Desta vez, vamos em um período de seca e esperamos encontrar uma grande variação da flora.”

Os resultados do Flora Cristalino serão empregados no processo de constituição das RPPNs e também integrarão o plano de manejo do parque. “A flora da região é muito rica. Por isso mesmo, seu estudo ajuda a completar algumas lacunas de distribuição de algumas espécies”, diz Sasaki.

Em um contexto de forte pressão pela abertura de novas áreas para a agricultura e a pecuária –Mato Grosso tem 19 municípios na lista dos 36 maiores destruidores da Amazônia–, a bióloga acredita que o conhecimento seja uma ferramenta para a preservação. “Está-se destruindo algo que não se conhece. Se o conhecimento aumentar, aumentam as chances de preservação”, diz.

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Levantamento e Monitoramento Ambiental Participativo

A Fundação Ecológica Cristalino e o Instituto Ouro Verde realizaram entre os dias 11 e 14 de julho a primeira oficina do projeto Levantamento e Monitoramento Ambiental Participativo. A oficina aconteceu na Ilha Ariosto da Riva, no rio Teles Pires.

O objetivo geral da oficina foi capacitar jovens de comunidades rurais de Carlinda para a monitoria ambiental, incluindo aspectos da fauna e flora. Para isso os objetivos específicos foram:

a) Que os participantes reconheçam a importância da biodiversidade dentro das estratégias de desenvolvimento rural sustentável.

b) Que os participantes dominem técnicas de levantamento e monitoramento ambiental.

c) Que os participantes elaborem estratégias para realização do levantamento e monitoramento ambiental, incluindo a formação de banco de sementes, no setor Nazaré + comunidades envolvidas.

d) Criação de Plano de Ação.

Esta atividade foi realizada graças a articulação do Instituto Ouro Verde, Fundação Ecológica Cristalino e escola estadual Frei Caneca, do Setor Nazaré em Carlinda. Foi fruto de discussões do conselho gestor do projeto “Centro Comunitário de Gestão Ambiental Integrada”, considerando o momento atual do projeto.

Participaram da oficina 24 pessoas, dentre estudantes (primeiro e segunda grau), monitores do projeto Centro Comunitário de Gestão Ambiental Integrada e professores da escola Frei Caneca.


Participantes fazem atividade prática de identificação de espécies vegetais.

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Escola JVC participa de mais um “Dia na Floresta”

A Escola JVC, de Alta Floresta, participou mais uma vez do projeto “Dia na Floresta”. A última oficina ocorreu no dia 12 de julho e contou com a presença de vinte e seis alunos da sexta série.

O Dia na Floresta envolve uma série de atividades lúdicas que tem como objetivo despertar o interesse e o apego dos jovens pela floresta. As atividades são feitas no Floresta Amazônica Hotel (FAH) e são gratuitas para a comunidade.

As oficinas são patrocinadas pelo Instituto HSBC Solidariedade. O projeto é desenvolvido pela Escola da Amazônia - programa de educação para a conservação da Fundação Ecológica Cristalino - e deve se extender até 2010. Ele deverá atender às escola públicas de Alta Floresta e municípios vizinhos.


Equipe “Dia na Floresta”: Tiago Magalhães, Siri, Tiago Henicka (coordenador) e Vivi.


Alunos participantes segurando os pôsteres produzidos durante a oficina

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VI Workshop de Desenvolvimento Socioeconômico e Conservação da Biodiversidade

Vinte e sete alunos de três colégios de São Paulo - Bandeirantes, Vera Cruz Ensino Médio, e Santo Américo - participaram do VI Workshop de Desenvolvimento Socioeconômico e Conservação da Biodiversidade, realizado pela Escola da Amazônia entre os dias 30 de junho e 7 de julho.


Alunos do VI Workshop em frente à castanheira (Foto do Prof. Carlos Alberto Carvalho. Clique aqui para mais fotos)

Mais fotos e informação sobre o workshop serão postadas em breve. Fique ligado!

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Consumo é vilão ambiental, diz americano

“Estudioso da Amazônia, pesquisador cobra estímulo à indústria regional; “em 30 anos, PIB da população da região subiu menos de 1%”

Folha de São Paulo
Caderno Ciência
(25/06/2008)

Emilio Moran

Para resolver o problema ambiental nº 1 do mundo, a receita do antropólogo Emilio Moran, 61, nascido em Cuba, mas morador dos Estados Unidos desde os 14 anos, chega a ser prosaica. “Temos que aprender a desligar a televisão. Ela é a principal ferramenta do consumismo”, afirma o especialista em América Latina, que há mais 30 anos investiga o desenvolvimento humano da Amazônia brasileira.
Apesar de a entrevista ter sido feita em um hotel a meio quarteirão da rua Oscar Freire (o palco das grandes grifes mundiais em São Paulo fora dos shoppings) o entrevistado, com orgulho, comenta: “Esta calça que estou usando eu comprei há 25 anos.”
Moran é um acadêmico tradicional e assiste televisão. Na Universidade de Indiana, ele dirige um centro que une a antropologia às mudanças climáticas globais - o agricultor amazônico, por exemplo, segundo uma pesquisa feita pelo grupo, não sabe se proteger contra o El Niño, porque ele não registra essas oscilações naturais ao longo do tempo.

Pobreza amazônica
Se o modelo mundial de desenvolvimento, para o pesquisador, está errado, o da Amazônia idem. “Nos últimos 30 anos, o aumento do PIB da população amazônica subiu menos de 1%. Na região, quem ganha é quem já era rico em São Paulo e no Rio de Janeiro.”
O antropólogo, que chegou à floresta no início das obras da rodovia Transamazônica, diz que pouco mudou na região. “Não existe infra-estrutura para o pequeno agricultor. A estrada, por exemplo, não mudou muito, continua ruim. Existe ausência de governo na Amazônia com toda a certeza.”
Os grandes produtores, lembra o pesquisador, montam sua própria infra-estrutura e acabam fugindo do problema encontrado pelos menores.
“Falta compromisso com a indústria regional, que poderia valorizar os produtos amazônicos. Daria, por exemplo, para fazer uma fábrica de abacaxi enlatado, ou de suco”. São várias opções disponíveis, diz Moran, que trabalha em áreas críticas, como Altamira (PA).
A experiência acumulada no campo, inclusive nos recantos amazônicos, é que leva o antropólogo a afirmar: “O maior problema ambiental do mundo é o consumismo. O mercado ensina egoísmo e o indivíduo cada vez mais está centrado em si mesmo”, afirma.
Parte do caminho para sair dessa cilada ambiental, Moran apresenta no livro “Nós e a Natureza” (Editora Senac), lançado anteontem no Brasil. “É um livro mais apaixonado. Experimentei a sensação de ir além dos escritos acadêmicos”, diz.
Para reforçar seu ponto de vista, de que o modelo mundial é insustentável, Moran usa exemplos da classe média brasileira e da sociedade americana. Ambas ele conhece bem.
No caso nacional, cita a história em que um filho de uma família de classe média do interior de São Paulo comentou com a mãe que eles eram pobres. O motivo era a ausência de uma televisão de plasma na sala, em comparação com a residência do vizinho.

“Subprime” ambiental
“No caso americano, a crise imobiliária é também um problema claro de consumismo”, afirma Moran. “O americano, na média, está todo endividado. A maioria paga apenas os juros. Cada um tem uns US$ 20 mil em dívidas só no cartão de crédito”. E isso, segundo ele, apenas para querer ter mais e mais. “No caso do mercado imobiliário, por exemplo, muitos fazem a segunda hipoteca [antes de quitar a primeira] para mudar para uma casa maior.
Segundo o antropólogo, enquanto nos anos 1950 a casa de uma família média americana tinha uma vaga na garagem e 140 metros quadrados para seis pessoas, hoje ela tem espaço para três carros e 300 metros quadrados para quatro pessoas.
E os carros, lembra Moran, queimam petróleo cada vez mais em maior quantidade, por causa do tamanho e da potência do motor. “Tenho feito o caminho inverso. Hoje, tenho um carro pequeno e de quatro cilindros”, conta o cientista.
Apesar de o quadro ambiental mundial ser dramático, o antropólogo afirma ser otimista e retrata isso em seu novo livro também. “Se não existir esperança, o melhor é pendurar as chuteiras e ir embora.”
Para Moran, é o consumidor individual o único que tem poder de ação de fato. “As pessoas podem chegar e dizer “não”. Elas podem não consumir mais porque aquilo vai endividá-las e criar pressões [ambientais]”.
Além de ensinar os filhos a lerem com um olhar crítico os comerciais, todos deveriam olhar suas gavetas, seus armários, diz ele. “O importante é saber que não se está sozinho. Existem milhões de pessoas no mundo que já não aceitam esse modelo [de desenvolvimento] que nos levará ao colapso.”

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