Archive for April, 2008

Artigo: O fubá vem do bolo

Por Edson Grandisoli

A questão ambiental ganhou grande força e destaque nas últimas décadas por todo o mundo.

Toda essa crescente preocupação com o meio ambiente, com os recursos naturais, com a qualidade de vida, etc., mudou irreversivelmente nossa forma de encarar nossos hábitos e abriu definitivamente os olhos de muitos sobre qual o real grau da influência humana sobre o planeta.

Essa tendência mundial se refletiu, como não poderia deixar de ser, sobre a Educação. O tema Meio Ambiente é obrigatório em todo o ciclo básico de ensino no Brasil e faz parte da vida e do trabalho de milhares de alunos e professores das mais diferentes áreas todos os dias (PCN, 2000).

Já há alguns anos tenho o prazer de poder trabalhar com alunos de diferentes idades, especialmente aqueles no Ensino Médio, com o tema Ecologia e Meio Ambiente.

Para minha felicidade, vejo que a grande maioria deles expressa suas opiniões sobre as ameaças ao planeta e propõe, com desenvoltura, soluções para colaborar com a sua conservação.

Esse fato Ă© especialmente relevante e mostra como o trabalho desenvolvido pelos meus colegas do Ensino Fundamental Ă© importante e competente.

Apesar disso – e isso ocorre todos os anos, sem exceção – esbarro na questão sobre o bolo de fubá.

A questão a que me refiro é quase onipresente nos livros didáticos e trata sobre um problema envolvendo uma teia alimentar, na qual o “tico-tico está comendo o meu fubá”.

Pronto, o cenário está construĂ­do, e vocĂŞ já sabe a resposta da grande maioria quando pergunto de onde vem o fubá…

Muitos textos sobre Educação Ambiental são categóricos ao afirmar que muitos dos problemas ambientais têm origem na total desconexão entre nosso estilo de vida nas grandes cidades e o impacto que esse causa aos ambientes ainda naturais (não antropizados).

A origem do fubá é mesmo um mistério para muitos, bem como a da carne, da madeira, do papel, do vidro, da borracha, enfim, os recursos retirados da natureza se materializam de maneira quase mágica na forma de produtos bem organizados nas prateleiras de supermercados e das lojas, e são consumidos sem que nos preocupemos sobre sua origem ou impacto que causaram para sua fabricação.

Dentro da Educação Ambiental, uma das correntes de pensamento mais importantes, e que acredito que ainda é uma das menos utilizadas, é a corrente Biorregionalista.

A corrente Biorregionalista prega, grosso modo, o retorno da vida à terra, valorizando o regional e enfatizando a importância da boa gestão dos recursos ambientais (Sato & Carvalho, 2005). Dentro desse ponto de vista, é possível resgatarmos as origens dos processos produtivos, permitindo que voltemos a compreender – de forma mais global - como estamos utilizando nossos já escassos recursos naturais.

Infelizmente, o regional para mais de 50% da população do planeta é a paisagem urbana e, dessa forma, continuamos com o mesmo problema, ou seja, sem saber de onde vem o fubá.

Talvez uma das perguntas mais importantes e desafiadoras para os estudantes das grandes cidades seja realmente essa: “De onde vêm as coisas?”

Por meio dessa questĂŁo, Ă© possĂ­vel compreender melhor aquilo que se encontra alĂ©m do nosso mundo, passo fundamental para a criação de uma real consciĂŞncia coletiva; afinal, o fubá nĂŁo vem do bolo e o leite nĂŁo vem da caixinha…

ReferĂŞncias

Parâmetros curriculares nacionais: meio ambiente e saúde / Secretaria de Educação Fundamental – 2. Ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2000.
Sato, M. & Carvalho, I. Educação Ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005.

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