Archive for August, 2010

T√£o longe, t√£o perto

Por Alexandre Sayad
Fonte: Portal Aprendiz

Para um estudante que mora em cidade grande, compreender a informa√ß√£o que o desmatamento na Amaz√īnia caiu pela metade em 2010, mas mesmo assim foi derrubada uma √°rea do tamanho da cidade de S√£o Paulo (SP), pode ser t√£o complexo quanto a leitura de um livro de Nicolai Gogol em russo original.

As desconex√£o com a realidade do estudante, suas preocupa√ß√Ķes e anseios, dilui a compreens√£o da informa√ß√£o. A met√°fora pode at√© ser forte, mas fora de contexto. A educa√ß√£o formal at√© bem pouco tempo atr√°s insistia em jogar sua incompet√™ncia nas costas do estudante ‚Äď hoje √© evidente o anacronismo do modelo escolar.

A ecologia ‚Äď quando resumida √† burocracia do giz e lousa ‚Äď torna-se um exemplo ic√īnico desse descompasso entre vida e estudo. Foi preciso um bom comunicador, no caso o norte-americano Al Gore, para que o tema entrasse na pauta da sociedade com a for√ßa merecida.

Foi tentando estreitar essa rela√ß√£o do jovem urbano com a floresta e a preserva√ß√£o ambiental que os educadores Edson Grandisoli e Silvio Marchini resolveram montar uma escola no meio da floresta. A Escola da Amaz√īnia √© a ponta de uma funda√ß√£o que preserva uma √°rea do tamanho de Manhattan, em Alta Floresta (MT).

Anualmente vinte jovens do ensino m√©dio de S√£o Paulo reservam suas f√©rias para aprender ‚Äď numa rotina de estudos bem puxada ‚Äď no meio da mata. Trilhas, coletas de informa√ß√£o e aulas in loco d√£o subs√≠dios para que cada um deles desenvolva, em uma semana, uma pesquisa cient√≠fica completa sobre algum aspecto daquele ecossistema. Para completar, produzem comunica√ß√£o para um blog especial.

A atmosfera da Escola da Amaz√īnia √© infantil, no melhor dos sentidos. Cada estudante redescobre o que significa uma Floresta Amaz√īnica e n√£o o que dizem que ela significa. H√° encantamento. O √°pice da experi√™ncia √© a troca de conhecimento com estudantes das comunidades locais ‚Äď um encontro de duas culturas completamente complementares.

O principal m√©rito do projeto √© que a educa√ß√£o √© ‚Äú vivida‚ÄĚ para ser compreendida ‚Äď como as crian√ßas nos primeiros anos de vida que realizam descobertas experimentando e vivenciando. At√© um urban√≥ide mais velho, como eu, conseguiu perceber melhor que a floresta est√° presente, de alguma maneira, na selva de concreto ‚Äď a experi√™ncia fornece instrumentos para se fazer essa conex√£o de significado.

Para o ensino m√©dio, o Enem, que embora tenha perdido prest√≠gio no ano passado, tem o m√©rito garantir uma medida ‚Äú n√£o-banc√°ria‚ÄĚ da informa√ß√£o compreendida pelo aluno ‚Äď na forma da contextualiza√ß√£o da informa√ß√£o, as habilidades e compet√™ncias.

O fato √© que a Floresta Amaz√īnica n√£o tem significado por si s√≥. Nem Nicolai Gogol, o escritor russo. O papel da educa√ß√£o √© fazer compreender que sem a floresta, pode n√£o haver vida na cidade; e que ‚ÄúO Inspetor Geral‚ÄĚ , obra de Gogol, √© um dos retratos mais atuais da com√©dia da vida pol√≠tica.

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Alunos da M√≥bile vivenciam experi√™ncia na Amaz√īnia

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