Archive for October, 2010

AMAZONARIUM, 10 ANOS!

Por Silvio Marchini

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Em outubro de 2000 visitei o Rio Cristalino pela primeira vez, a convite da empres√°ria Vit√≥ria da Riva. Era minha primeira viagem por meio do Amazonarium, e o in√≠cio de uma parceria que culminaria na Escola da Amaz√īnia.

H√° exatamente 10 anos, mais precisamente nos dias 28 e 29 de outubro de 2000, eu tive o privil√©gio de conhecer o Rio Cristalino e sua floresta. Fui a convite da Dona Vit√≥ria da Riva, propriet√°ria do Floresta Amaz√īnica Hotel e do Cristalino Jungle Lodge e com quem eu havia me encontrado pela primeira vez algumas semanas antes, em um shopping em S√£o Paulo, para apresentar a ideia por tr√°s do rec√©m criado Amazonarium. At√© ent√£o o Amazonarium era s√≥ uma ideia. A viagem ao Cristalino em 2000 foi a primeira realiza√ß√£o concreta do projeto. Eu n√£o imaginava ent√£o que aquela era apenas a primeira de tantas viagens que o Amazonarium me proporcionaria, e a primeira de tantas idas para Alta Floresta, onde mais tarde Dona Vit√≥ria e eu fundar√≠amos a Escola da Amaz√īnia.

Primeiro, o nome.

Eu cunhei o termo Amazonarium em algum momento de 1998, em algum aeroporto. N√£o me lembro exatamente qual. Tive a inspira√ß√£o ao me deparar com a palavra “Ocean√°rio” em uma revista. Ocean√°rio √© um aqu√°rio p√ļblico em Lisboa. Achei a palavra sexy. √Č uma forma aportuguesada do latim Oceanarium (oceano + rium), ou seja, o ‚Äúlugar onde as coisas do oceano s√£o guardadas‚ÄĚ, e podem ser apreciadas por visitantes.

Na √©poca eu fazia o doutorado em ecologia nos Estados Unidos e o trabalho de campo na Amaz√īnia. Como sempre tivera interesse por turismo (embora odiasse fazer papel de turista!), eu me perguntava se haveria alguma maneira de combinar as duas coisas, alguma maneira de mostrar a Amaz√īnia ao visitante sob a √≥tica da ci√™ncia, com mais informa√ß√£o do que no turismo convencional, com informa√ß√£o de qualidade, com informa√ß√£o cient√≠fica.

Num devaneio, vislumbrei o Amazonarium como um grande centro de visitantes em Manaus, misto de museu, aqu√°rio, serpent√°rio, biblioteca, restaurante, teatro, loja de artesanato e centro de pesquisa. Um lugar onde o visitante teria “a experi√™ncia amaz√īnica completa”.

Obviamente eu n√£o tinha os meios para montar tal Amazonarium f√≠sico. Construi ent√£o o Amazonarium virtual. Naquele mesmo ano registrei o dom√≠nio na internet e coloquei no ar um website com o nome de Amazonarium. O site, de hospedagem gratuita no antigo Geocities, n√£o passava de uma cole√ß√£o mais ou menos organizada de links para outros sites sobre a Amaz√īnia.

Depois, o conceito.

Foi em 1999 que eu comecei a desenvolver as id√©ias que culminariam no Amazonarium e, mais tarde, na Escola da Amaz√īnia. Naquele ano eu assumi o cargo de Diretor Acad√™mico do Programa de Manejo de Recursos Naturais e Ecologia Humana na Amaz√īnia, da School for International Training (SIT). O SIT mantem programas para universit√°rios americanos que passam o semestre no exterior, valendo cr√©ditos para suas faculdades nos Estados Unidos. O programa na Amaz√īnia tinha sua base em Bel√©m do Par√°, onde os alunos passavam as 5 primeiras semanas do programa morando em casas de fam√≠lia e depois pass√°vamos um m√™s inteiro viajando pela regi√£o, conhecendo um pouco de tudo que √© relevante para a Conserva√ß√£o e o Desenvolvimento na Amaz√īnia, desde madeireiras em Paragominas, minera√ß√£o em Caraj√°s e a Hidrel√©trica de Tucuru√≠, at√© os trabalhos do Projeto Sa√ļde e Alegria no Rio Tapaj√≥s e a Reserva de Desenvolvimento Sustent√°vel do Mamirau√°, no Amazonas.

A experi√™ncia era fant√°stica, mas me incomodava o fato de que apenas alguns poucos estudantes americanos tinham o privil√©gio de conhecer a Amaz√īnia de modo t√£o profundo. A maioria daqueles estudantes n√£o se envolviam com o tema da conserva√ß√£o ou do desenvolvimento sustent√°vel quando voltavam para suas casas nos Estados Unidos. Pensei ent√£o em uma maneira de oferecer aquela oportunidade para estudantes brasileiros tamb√©m. No dia 28 de mar√ßo de 2000, navegando com meus estudantes pelo rio Arapiuns, no Par√°, tive a ideia de criar um projeto para levar jovens brasileiros para conhecer a Amaz√īnia nos moldes da SIT. Finalmente eu tinha encontrado um projeto (vi√°vel) para chamar de Amazonarium!

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P√°gina do website em 2002 mostrando alunos da Escola Vera Cruz em excurs√£o no Amap√°

Ent√£o, as viagens

Em 2000 coloquei no ar o website do Amazonarium como ‚Äúag√™ncia de viagens‚ÄĚ especializada em turismo educacional e cient√≠fico. Conheci o Cristalino em outubro e em dezembro enviei para l√° meus primeiros clientes.

Em 2001 o Amazonarium se consolidava. Tr√™s viagens fant√°sticas marcaram o ano; Acre, Amap√° e Rond√īnia. Levei um fot√≥grafo ingl√™s para fotografar seringueiros e √≠ndios no Acre. Foram duas semanas vivendo em uma casa de serigueiro na Reserva Extrativista de Xapuri e tr√™s semanas entre os Ashaninka no rio Tarauac√°. Levei 60 alunos da Escola Vera Cruz ‚Äď Ensino M√©dio, de S√£o Paulo, para uma excurs√£o no Amap√°, quando o estado contava com apenas dois restaurantes com capacidade para receber um grupo daquele tamanho. E por fim, fui conhecer o projeto de ecoturismo de base comunit√°ria no rio Guapor√©, em Rond√īnia, a convite da WWF.

No dia 2 de novembro de 2002, na Adventure Sports Fair em São Paulo, me encontrei pela primeira vez com Telmo Gaertner Victoria, que havia acabado de fundar a Aecoturis, organização dedicada ao desenvolvimento do turismo sustentável. No final do novembro fui visitá-lo em sua casa no Jurerê Internacional em Florianópolis e estabelecemos a cooperação entre Amazonarium e Aecoturis. Juntos, realizaríamos nos anos seguintes uma série de palestras, oficinas e cursos sobre o tema, em Florianópolis, São Paulo e Belém.

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Homepage em fevereiro de 2003

Por fim, a Escola da Amaz√īnia

Em 2002 o Amazonarium levou um grupo de universit√°rios finlandeses para uma excurs√£o pelo Mato Grosso. Estivemos no Pantanal e dali seguimos para o Cristalino. No dia 3 de abril, em frente ao Floresta Amaz√īnica Hotel enquanto os finlandeses embarcavam no √īnibus que nos traria de volta para Cuiab√°, Dona Vit√≥ria me prop√īs que concentr√°ssemos nosso esfor√ßo em trazer mais grupos como aquele para o Cristalino, em excurs√Ķes de cunho educacional. Conversamos brevemente sobre a possibilidade de fazermos daquele esfor√ßo um projeto pr√≥prio.

Alguns dias mais tarde, por email, sugeri que cham√°ssemos o novo projeto de ‚ÄúAmazon School of Forest‚ÄĚ, o que em portugu√™s ficaria ‚ÄúEscola de Floresta da Amaz√īnia‚ÄĚ. A inspira√ß√£o para o nome em ingl√™s eu tinha tirado da ‚ÄúColorado School of Mountain‚ÄĚ, onde eu tinha feito um curso de escalada quatro anos antes. Dona Vit√≥ria achou que o nome em portugu√™s poderia ser entendido como uma escola de engenharia florestal. Abreviamos o nome ent√£o para ‚ÄúEscola da Amaz√īnia‚ÄĚ.

Em 2003 a Escola da Amaz√īnia realizou sua primeira oficina. Nos dias 17 e 18 de maio, recebemos no Cristalino Jungle Lodge um grupo de jovens de escolas p√ļblicas de Alta Floresta. Em julho, com a contato do Professor Edson Grandisoli, levamos um grupo de alunos do Col√©gio Bandeirantes, de S√£o Paulo, para um workshop de 8 dias de dura√ß√£o no Cristalino Jungle Lodge. Desde ent√£o, o Edson tem desempenhado um papel vital na Escola da Amaz√īnia, participando n√£o somente na elabora√ß√£o dos workshops e na sua divulga√ß√£o nos col√©gios de S√£o Paulo, mas tamb√©m na conceitualiza√ß√£o e organiza√ß√£o do projeto como um todo.

Por vir, o novo Amazonarium

Com base no sucesso da nossa parceria nesses √ļltimos sete anos, eu e Edson vamos expandir os horizontes do Amazonarium e diversificar nossas atividades em 2011. Vamos lan√ßar um novo site do Amazonarium no come√ßo do ano que vem, contando os detalhes. Fiquem ligados!

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Let’s talk about LOVE, not LOSS

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Amazon Deforestation Frontier Expedition: environmental studies in the Brazilian Amazon

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Programa integra alunos de diferentes realidades

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